sexta-feira, 7 de junho de 2013

Borboletas e medos e achos

É um frio na barriga, como se houvessem milhões de borboletas, mas como a sensação neste caso é ruim, eu penso como se fossem besouros, ou qualquer inseto que voa insistentemente, e não param nunca. Só quando eu durmo, às vezes quando como. Engraçado, parece fome, aquela fome que dá de repente, fome de doce, mas eu sei que se eu comer um doce não vai adiantar. Ou será que serve? Vou comer um pra ver se resolve. Paro em uma barraquinha e compro 3 barras de chocolate. "Deve servir, se não, não era fome.
Como uma das barrinhas e a sensação logo volta, tento comer o outro e os insetinhos continuam voando, não era fome, talvez um salgado... Era tensão, nervosismo. Essas coisas não saem de mim por nada.

Como quando perdemos um grande amor, quando sofremos por alguém que não veio, ou como quando vemos aquele alguém que faz nosso coração disparar e as pernas tremerem.
Mas nada disso está acontecendo agora. Tenho essa sensação a todo o tempo. Será que estou sempre ansiosa? Também pode ser medo.
É. Eu tenho medo de muitas coisas, de ter alguém me seguindo, de cair na rua. Também tenho medos mais complexos, medo de tomar decisões erradas, medo de fugir, medo de ficar aqui pra sempre.

Pode ser medo também. Nesses poucos anos de existência, esses besouros/borboletas nunca saíram de mim. Talvez eles realmente existam, uma forma evoluída de vermes. Droga, estou ficando com medo disso também, mutações genéticas no meu corpo.
Tenho um medo maior que todos, de que ninguém me compreenda nunca. A pior coisa seria se nem meu psicólogo me entendesse e acho, sinceramente que eles não me entendem, e acho também que esse não é o trabalho deles, afinal, qual o trabalho deles?

Dá pra perceber? Penso em muitas coisas, boas, ruins, ótimas. Tenho ideias furtivas e vontades exageradas. Me empolgo para uma coisa no máximo, por uma semana, depois enjoo. É, acho que não posso fazer planos a longo prazo.
Principalmente por causa dessa sensação no meu estômago, essas borboletas, ou insetos, ou não sei.
Acho que não, acho que eles fazem parte de quem eu sou, fazem parte do meu medo e das minhas alegrias repentinas e das vontades furtivas e obsoletas.

Às vezes, eu acho que eu acho muito, sobre tudo, e é por achar tanto que nunca consigo me empolgar por muito tempo, começo a achar que pode dar errado, ou que não era a opção certa, daí vem o medo, o medo de nunca conseguir arrumar as coisas, o medo de não ser, o medo dessas malditas borboletas nunca saírem de mim e o medo delas saírem de mim um dia.

É tanto medo, tanta borboleta, tanto acho e nada encontro.